14 músicas do Nando Reis para ouvir em todos os momentos


Artigo publicado no site E0H


Comecei esse post pensando em fazer uma lista de músicas do ruivo para ouvirmos antes de dormir, que por sinal é uma delícia, mas lá pelo meio da lista percebi que é impossível direcionar para apenas um momento, Nando Reis é um amorzinho para todos.

Para mim ele é trilha de várias lembranças, abraços, cheiros e momentos. Para cantar junto é sem dúvidas “All Star”, para trazer boas vibrações escolho “Mantra”, para se declarar, “Para você guardei o amor” e para sonhar, todas .

Então pega seus fones, aumenta o volume e se prepara para ouvir essa listinha que foi feita para você curtir um amor ou uma solidão, para curtir com quem ama ou para se curtir também, porque não? Vem: 
Alice no País das Maravilhas e o limiar entre loucura sã e sanidade patológica



A loucura só existe em uma sociedade, já afirmava Foucault (1961). A questão dos limites saudáveis entre loucura e sanidade, não é algo fácil de se encontrar, precisamos entender que essa é uma compreensão relativa, que leva em conta a cultura e a época. Considerando cada ser humano único, entendemos que não é possível identificar um único padrão, sendo muito tênue a separação entre normal e anormal, entre saudável e patológico.

Para ilustrar essa questão utilizaremos a trajetória da personagem Alice no filme Alice no país das maravilhas, de 2010, dirigido por Tim Burton. O filme mostra a Alice depois de 13 anos, como uma jovem tendo que tomar a decisão de viver conforme a sociedade afirma ser adequado para uma garota, aceitando um casamento arranjado, ou ouvir seu “eu interior” e seguir os passos do pai, saindo totalmente dos padrões pré-estabelecidos da época. Antes da resposta ao pedido de casamento, Alice retorna ao “país das maravilhas” e trilha uma jornada pelo seu mundo interior descobrindo-se, e assim fortalecendo o seu self tendo, portanto, condições de tomar a decisão mais adequada para si, mesmo correndo o risco de ser tachada de “louca”.
14 filmes especiais com grandes mulheres da literatura


Artigo publicado no site NotaTerapia

Histórias reais quase sempre emocionam e quando elas dizem de escritoras e poetisas, as quais admiramos, parece que o fascínio se torna ainda maior. Em comum nessa lista de 14 filmes biográficos estão grandes mulheres que com poesia e prosa mudaram o mundo. Cada filme, com sua peculiaridade, é capaz de despertar em nós interesse, fascinação e até mesmo desapontamento, pois como leitores não cansamos de idealizar aquelas que um dia nos sussurraram aos ouvidos as mais belas palavras. Espero que gostem da seleção!
O livro que surgiu de um encontro entre Guimarães Rosa e Manoel de Barros



Em 1952, João Guimarães Rosa, em pleno trabalho de “elaboração” de Grande Sertão: Veredas, visitou o Pantanal do Mato Grosso em busca de subsídios e para observar o comportamento dos bois. Na ocasião, Manoel de Barros foi uma espécie de guia pantaneiro de Rosa. Embora o fluxo da linguagem do sertão fosse diferente do refluxo da linguagem do pantanal, embora ambos, sertão e pantanal, pertençam à mesma categoria de terra-de-sem-fim, Manoel, então com dois livros publicados — Poemas concebidos sem pecados (1937) e Faca Imóvel (1942) — acabou subvertendo Rosa. Note-se que Rosa já era autor consagrado pela excelente repercussão de Sagarana. Mas essa subversão se deu a tal ponto, que Manoel acabaria se transformando no personagem de um livro raríssimo, tão raro que nem consta mesmo na Bibliografia oficial de Guimarães Rosa: Um certo vaqueiro Mariano. A edição foi de apenas 116 exemplares, numerados, e todos eles assinalados pelo próprio punho do autor.1
AS MULHERES POETAS NA LITERATURA BRASILEIRA (45ª POSTAGEM)


ANGELA LEITE DE SOUZA(19  ) poeta mineira, trabalhou por cerca de 30 anos em diversos órgãos da imprensa brasileira. Publicou dezenas de livros, a maioria na área infanto-juvenil. Com o livro de poemas Estas muitas Minas, conquistou o prêmio Casa de las Américas de Literatura Brasileira, de Cuba, em 1997. Estreou com Amoras com Açucar (1982). Publicou também Lição das horas, e Entre linhas, recém-lançados.

TUDO


A paz humana jaz

nesse teu peito sem tréguas.

Amansa a ânsia.

Despe o desejo.

Verga a vaidade.

Sonda a solidão.

Aquieta tuas águas turvas

para ver-lhes o fundo.

Despoja-te de tudo
Até seres só amor.

Até seres tudo.

Coisas a gente compra de novo, pessoas a gente perde para sempre


Marcel Camargo
Artigo publicado no site Contioutra

Muita gente se preocupa com os riscos da calota do carro sem nunca perguntar como a esposa se sente. Muitos pais verificam o boletim escolar, mas se esquecem de olhar nos olhos dos filhos. Muitos de nós notamos quando o amigo engordou, porém, nem percebemos o quanto ele pode estar precisando de nossa ajuda.

Como é difícil balancearmos com equilíbrio nossas prioridades, dando a devida atenção tanto ao que precisamos obter quanto ao que precisamos manter junto de nós. Embora a vida nos obrigue a despendermos a maior parte de nosso tempo trabalhando para conquistar qualidade e conforto, essa rotina pesada ao mesmo tempo nos distancia mais e mais dos contatos e interações com as pessoas.
Eu cuido de todos. E quem cuida de mim?
 

Bárbara Farias
Artigo publicado no site contioutra

Muitas vezes encontramos pessoas dispostas a cuidar de tudo e de todos, a qualquer hora, em qualquer lugar e sob qualquer circunstância. Guarda a dor no bolso e vai cuidar da dor do outro. Qual ferida esse curador esconde?

Dias e dias passados com aquele parente no hospital, vive cozinhando para várias pessoas, é sempre o primeiro a se oferecer para ajudar em um mudança de casa, na organização de uma festa, no cuidado com as crianças, é “pau pra toda obra”! É aquela mãe que vive só em função dos filhos; nada de fazer as unhas, arrumar o cabelo, comprar uma roupa nova. É mãe com dedicação exclusiva aos filhos. Tem também aquele que faz todo mundo rir, pois se preocupa em manter todos sempre com um alto astral. São pessoas que dedicam-se ao cuidado do outro. Você conhece alguém assim? Então esse texto é para você!
Mar Me Quer, por Mia Couto


Por Nara Rúbia Ribeiro

Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer. – Levanta, ó dono das preguiças. É o mando de minha vizinha, a mulata Dona Luarmina. Eu respondo: -Preguiçoso? Eu ando é a embranquecer as palmas das mãos. -Conversa de malandro… – Sabe uma coisa, Dona Luarmina? O trabalho é que escureceu o pobre do preto. E, afora isso, eu só presto é para viver… Ela ri com aquele modo apagado dela. A gorda Luarmina sorri só para dar rosto à tristeza. – Você, Zeca Perpétuo, até parece mulher… – Mulher, eu? – Sim, mulher é que senta em esteira. Você é o único homem que eu vi sentar na esteira. – Que quer vizinha? Cadeira não dá jeito para dormir. Ela se afasta, pesada como pelicano, abanando a cabeça. Minha vizinha reclama não haver homem com miolo tão miúdo como eu. Diz que nunca viu pescador deixar escapar tanta maré:
Bloco de Notas 

Tomo a vida como um grande bloco de papel. Tenho folhas em branco, um lápis e uma borracha. 

Algumas vezes posso apagar os erros. Outras, prefiro só dar um traço por cima e seguir adiante. Não raras são as vezes em que percebo que a falha está lá atrás, de modo que não a posso apagar e sigo. 

O fato é que, todas as manhãs tenho novas oportunidades para me reescrever, me reinventar e, disso tudo, sobra-me o direito do uso e do abuso do que tenho em mãos: meus lápis e borracha. 

É muito mais simples que eu me permita a fixidez das rotinas e do cotidiano acinzentado do grafite: seguir o fluxo é sempre menos cansativo, menos exigente, menos arriscado e até mais confortável. Lamentável essa comodidade, mas é uma possibilidade. 

Ao contrário, posso ser mais. Posso ousar. Posso escrever as minhas linhas e ilustra-las. Posso valer-me de outros tantos lápis, outras tantas cores e formas e deixar tudo muito diferente. Há riscos. Há erros. Há contornos que não são fáceis de se fazer. Há nuances muito sutis que nem sempre percebo, mas são essas possibilidades que mais me encantam diante da vida: o inesperado. 

Uso o dia como meu laboratório de criação: escrevo, pinto, bordo, rimo e canto. Falho e apago. Falho e me afago, lambendo feridas, mas orgulhosamente, assumindo os erros em vez de apagá-los. Tudo isso depende muito: da fase da lua, da enchente das marés, das batidas de meu coração. 

E faço do coração meu tinteiro preferido: dessa tinta não há voltas. Não há como apagar. Tudo o que se traça marca a pele e a alma. Tudo finda, nada se esquece. É do coração que sai a tinta-inspiração mais forte. É dele que saem meus croquis mais apaixonados, os versos mais encarnados. 

Mas ainda reservo-me à tinta-razão, à tinta-planejamento, aquela que queima horas a fio em hipóteses e ensaios vãos. Vãos... justamente aqueles espaços entre o tempo e a ação que não ouso atravessar e perco tudo o que foi pensado. Aqueles traços que esboço e volto apagando por um motivo ou outro. E uso minha ferramenta mais desprezada: a borracha. 

Valho-me da borracha só para reparos essenciais. Cabe a ela o alívio dos perdões, o novo suspiro de quem se sufocava com a mágoa. A devolução da tranquilidade, da noite de sono, da paz de espírito. Borracha-alívio, borracha-salvação. 

Permito-me erros porque sou humana. Permito-me os erros porque tenho limites que não são intransponíveis e, sendo responsável pela criação do meu roteiro de vida, não posso enganar-me que tocarei a perfeição. 

Munida de meus lápis e borracha e tendo a vida como bloco de notas, como bloco de papel à minha disposição, assumo a responsabilidade pela história que escrevo (dessa vida), mas reconheço que se a borracha ameaça a acabar antes do lápis é um sinal de que estou passando dos limites. Que me venham as reflexões!


Dy Eiterer - Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. Edylane é Edylane desde 20 de novembro de 1984. Não ia ter esse nome, mas sua mãe, na última hora, escreveu desse jeito, com "y", e disse que assim seria. Foi feito. Essa mocinha que ama História, música e poesia hoje tem um príncipe só seu, seu filho Heitor. Ela canta o dia todo, gosta de dançar - dança do ventre - e escreve pra aliviar a alma. Ama a vida e não gosta de nada morno, porque a vida deve ser intensa. Site:Dy Vagando
VER PARA CRER

 Celso Sisto 

OZ, Amós. De repente, nas profundezas do bosque. Trad. de Tova Sender. São Paulo, Cia. das Letras, 2007. 141 p. R$ 31,00

Este pequeno livro não é para ser lido uma só vez... Para realmente subirmos a montanha e descobrirmos o que acontece além dos muros de pedra, é necessária a coragem dos que não suportam mais a mesmice e vão de encontro ao desconhecido, mesmo sabendo que para isso terão que romper com o estabelecido.

Em uma indeterminada aldeia, duas crianças, Mati e Maia, são os únicos inconformados com o estado das coisas. Numa noite fatídica, muito antes do nascimento deles, todos os animais do lugar desapareceram: peixes, gatos, cachorros, carneiros, moscas, cupins, absolutamente tudo. Os adultos não foram atrás de uma explicação plausível, e passaram a aceitar a hipótese de que Nehi, o demônio da montanha, engoliu tudo, estendendo seu manto escuro, que envolve e aprisiona toda criatura viva, levando-as para o seu palácio assombrado além dos últimos bosques . Desde então a noite é proibida para os moradores daquele lugar, que se fecham em suas casas, para se defenderem do que acontece do lado de fora. 
Temos de discutir sobre o que queremos com e dos nossos livros”


Marcelo Spalding, entrevista com Jane Tutikian

Recém eleita vice-reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a professora Jane Tutikian é antes de mais nada uma escritora de admirável currículo. Autora de dezenas de livros, tem diversos prêmios, entre eles o Prêmio Jabuti de literatura infanto-juvenil em 1984. Em 2011, foi escolhida patrona da Feira do Livro de Porto Alegre em 2011. Nesta entrevista, Jane nos fala sobre o mercado editorial, as feiras do livro e a relação entre a academia e a criação literária.
27º Concurso de Contos Paulo Leminski


Informações:

a) Aberto a todos os interessados 
b) Inscrição pelos correios

Premiação:

I) Prêmio em dinheiro 
II) Publicação em coletânea

Prazo: 31 de agosto de 2016 

Organização:

Prefeitura Municipal de Toledo | Unioeste

Contato - Mais informações e Dúvidas:


Por trás das palavras

por Cláudia de Villar
artigo pubublicado no site artistasgauchos 

Quanto do nosso EU colocamos no papel? O que revelamos de nós mesmos quando decidimos escrever? Ou um bilhete, um conto, um poema ouuma narrativa. Muitas vezes, somente o poema é visto como um desabafo do autor, uma “dor de cotovelo” mal resolvida, um amor não correspondido e por aí vai. E os leitores pensam... O que o amor não faz. Entretanto, nem só a poesia se torna reveladora, uma narrativa longa sempre tem uma marca pessoal do autor. Qual é a sua marca? O que queremos dizer nas entrelinhas?Quando o autor pega um papel ou se senta em frente a uma tela ele deixa ali as suas marcas pessoais. Ou na forma de dizer algo, por entre os diálogos, nos extensos parágrafos, numa opinião não muito revelada e é aí que se dá o link com o leitor, objeto final da escrita de todo escritor.

O que acontece entre o que o autor escreve e o que o leitor lê é que se constrói um leitor ”fiel” ou um leitor eventual. Dor, saudade, rancor, ódio ou até lição de moral, todas essas manifestações são “culpadas” por dar a liga entre o leitor e o escritor.

Por isso que uma obra agrada um e desagrada outro. Depende do estado de espírito do leitor ao ler um determinado livro. Mas enquanto falamos apenas da conquista do leitor, tudo OK, mas quando um júri entra em ação? O que faz uma obra ser lida, avaliada e escolhida para ser premiada? E se a criatura fala de uma paixão mal resolvida e os jurados não gostam de paixões mal resolvidas? Como deixar de lado o gosto pessoal e avaliar um texto?

A partir daí é que muitos escritores se perdem. Ao desejar um prêmio ou serem lidos por muitas pessoas, há escritores que vão escrevendo na tentativa de adivinhar o que agrada o leitor ou o jurado e termina por não agradar ninguém. Nem a si próprio. Pois não há nada tão frustrante do que olhar a própria obras e chegar à conclusão que aquele livro não te representa.

Portanto, melhor optar por escrevera verdade que existe dentro de nós e “rezar” para que existam muitos leitores à procura dessa mesma verdade registrada em papel.

Esse texto foi originalmente publicado no site: http://www.artistasgauchos.com.br/

Cláudia de Villar é professora, escritora e colunista. Formada em Letras pela FAPA/RS, especialista em Pedagogia Gestora e em Supervisão Escolar pelo IERGS/RS, também atua como colunista de site literário Homo Literatus e Jornal de Viamão do RS, além de ser pós-graduanda em Docência do Ensino Superior (IERGS/RS). Escreve para diversos públicos. Desde infantil até o público adulto. Passeia pela poesia e narrativas. Afinal, escrever faz parte de seu DNA. 
MENINO DE LUGAR NENHUM


A infância e a adolescência são parte do território sagrado em que a literatura inglesa está encastelada. Basta lembrar as fantasias que envolvem Peter Pan (James Barrie) e Alice no País das Maravilhas (Lewis Carrol). Ou a assustadora crueldade facilmente encontrável em romances como Oliver Twist (Charles Dickens), O Senhor das Moscas (William Golding) e Reparação (Ian McEwan). São incontáveis os livros que relatam questões relacionadas com a iniciação amorosa e sexual. Normalmente, esses Bildungromans (Romances de Formação) englobam desde algumas das narrativas escritas por Jane Austen até textos contemporâneos como O Mar e Luz Antiga (John Banville), Por Acaso (Ali Smith), A Biblioteca da Piscina (Allan Hollinghurst). A descoberta do mundo, com suas mentiras e decepções, está descrita em romances de primeira qualidade como Uma Escola para a Vida (Muriel Sparks), Império do Sol (J. G. Ballard), Dentes Brancos (Zadie Smith), Bem−vindo ao Clube (Jonathan Coe), Não me Abandone Jamais (Kazuo Ishiguro) e O Dom de Gabriel (Hanif Kureish).